terça-feira, 24 de maio de 2016

A história da luta de classes

      As ideias de direito do trabalhador, a luta por igualdade social e o enfrentamento de classes em si, são fatos muito antigos e vieram ganhando cada vez mais espaço com o passar dos anos. Isso pode ter sua influência observada em acontecimentos importantes, como as Revoluções Industriais (1760-1840) e a Revolução Francesa (1789-1799). Mesmo assim, esses movimentos vieram de forma tardia, se nos sujeitarmos a observar o quão antiga é a situação de desigualdade, a simples existência de classes dominantes. Dessa forma, a parte mais intrigante dessa situação não é seu desenvolvimento ao longo da história, mas sim suas origens.
      Antes da existência das linguagens faladas e da organização em sociedade, quando o ser humano ainda não tinha consciência de sua possibilidade de aprendizagem (ou ainda não havia a desenvolvido), possuíamos algumas atividades básicas, como a alimentação e a reprodução, ou mais especificamente, visávamos a sobrevivência. Lutávamos uns com os outros, se necessário, matávamos pela vontade de viver, quase sem consciência do fato; instintivamente. Alguns de nós, claro, eram mais fortes. Alguns de nós eram mais temidos, não por sua conta no banco ou por seu cargo político, mas por suas habilidades  de sobrevivência. Não seriam, então, as classes sociais provenientes disso?
   O principal problema dessa ideia de as classes e assim, a desigualdade, serem provenientes da primitiva luta pela sobrevivência seria o fato de ignorar o uso de moeda, e a ideia de compra e venda de produtos (e toda a consequente ideia de propaganda e manipulação da mídia) que teriam sido algo mais recente se comparado com os primórdios da raça humana e mesmo assim, muito presente nessa discussão  de realidade social. Mas na verdade, toda essas características capitalistas, e o capitalismo em si, seriam consequências da definição de classes sociais.
   Se realocarmos a história da luta de classes de acordo com essa teoria, conseguiremos enxergar a realidade atual de uma forma um pouco diferente. A opressão da burguesia deixa de parecer algo tão maldoso e voluntário, recebendo um tom mais instintivo, assim como a posição do proletariado deixa de parecer tão absurda. Não são apenas os ricos contra os pobres, mas também os mais fortes contra os mais fracos ( mesmo que a posição do forte e do fraco seja hoje, muito mais relativa ao poder econômico do que a força física). Por outro lado, esse é um quadro com o qual devemos tomar muito cuidado.
      A desigualdade social, independente das suposições sobre suas origens, precisa ser combatida. Ela talvez venha de algo primitivo, que existia num homem igualmente primitivo. Mas com a evolução da nossa espécie, nós desenvolvemos e abraçamos a desigualdade, em vez de tentar nos afastar dela. Durante séculos e séculos, criamos outras formas de representá-la. Nos acostumamos a oprimir ou a ser oprimidos, só percebendo o tamanho do nosso erro mais recentemente.
      Se eu tive a chance, ou mais que isso, o privilégio de nascer em uma família que não só me ama, mas também possui condições financeiras (em parte por ser dona de meio de produção), para que eu possa estudar num bom colégio particular (que, infelizmente, tem ensino superior ao dos colégios públicos em nosso país), possuir um plano de saúde e comprar as coisas das quais necessito, que ótimo para mim. Mas eu, e todos os outros como eu, deveríamos lutar pelo fim da miséria, pelas melhorias dos sistemas públicos de saúde e educação e pela diminuição da corrupção em nosso governo. Do contrário, ao nos aquietar diante dessas situações e até concordar com elas, estamos negando a outras crianças e adolescentes a qualidade de vida e as possibilidades de futuro que temos.
      Justificar os maus atos com a história, então, seria errado. Assim como ignorar todo o árduo processo de luta pelos direitos do trabalhador. O que devemos fazer, então,  é aprender sobre a desigualdade, sobre o capitalismo, sobre o socialismo, e mais que isso, criar uma opinião e, assim, lutar pelos nossos ideais, visando o benefício próprio e também o avanço da nossa sociedade de forma mais igualitária. Entender que “a história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de classes” muda a visão que temos da sociedade e de nossa própria existência.


Bia Figueiredo

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